100 anos do Jazz é comemorado na Savassi

Savassi: a New Orleans de Minas por um dia.

Evento ocorreu durante o projeto A Savassi é da Gente.

 

No decorrer do evento A Savassi é da gente que aconteceu no domingo 30 de abril, a praça da Savassi – aliás a Praça Diogo de Vasconcelos – parecia um grande jardim florido. Sim: floriu um jardim na Savassi. Um jardim de pets, idosos, crianças, adultos e jovens de diferentes tribos, todos unidos pela cultura.

Estava ali até mesmo a Penélope Charmosa, na pele de uma jovem senhora acompanhada de seu namorado, colecionador e proprietário de um extraordinário e impecável Ford 1928.

Ford 1928 foi a grande atração para a garotada

O evento, realizado pela Prefeitura de BH, contou com a organização de Toninho Horta, um dos expoentes do Jazz em Minas e trouxe para a Praça da Savassi, no cruzamento das avenidas Getúlio Vargas com Cristóvão Colombo, a comemoração dos 100 anos do Jazz. Além das apresentações de sete bandas desse gênero musical, a Savassi foi palco naquele domingo, entre outras coisas, de uma exposição de belíssimos carros antigos.

Jazz de qualidade no meio da avenida

Carros maravilhosamente bem cuidados por seus proprietários que além de exporem ao público presente os seus veículos, demonstraram imensa simpatia e carisma, permitindo que dezenas de crianças subissem e tirassem fotos naquelas possantes máquinas de outrora e até mesmo com os proprietários, caracterizados como personagens do desenho animado “Corrida Maluca”.

Incrível modelo inglês de 1935

Que dia charmoso, que domingo glorioso para a Savassi, cortada em dado momento – ao som de um Jazz da melhor qualidade, por umas tantas pessoas montadas em suas bicicletas, ao estilo provavelmente da década de 1920, vestidos rigorosamente a caráter, buzinando “trim trim, trim trim” para abrir a passagem ou chamar a atenção para aquela magnífica participação; para aquele desfile sabe Deus se ensaiada, planejado ou muito bem coincidida passagem, já que não pudemos perguntar, uma vez que não pararam para o cafezinho. Será que as cerca de 15 bicicletas e seus condutores, quem sabe, utilizaram-se de um portal do tempo para retornarem de uma época tão distante de onde vieram, para, em dias de hoje, comporem esse cenário tão arcaico que vivenciou a região da Savassi naquele ultimo domingo de abril?

Que pena não terem parado para um registro fotográfico e que pena não terem contemplado a arte dos Abreu, pai e filho, artistas plásticos criando ao vivo, ali mesmo na rua, embalados pelo melhor som que essas avenidas já produziram – não o som dos motores de veículos e ônibus, mas da leveza e profundidade do melhor do Jazz de Belo Horizonte, a New Orleans de Minas Gerais por um dia; Jazz aliás que trouxe às ruas da Savassi não apenas artistas que se apresentariam, mas também artistas de outras cidades, que elogiavam repetidamente, “quão graciosa é essa cidade, que maravilha de evento”, como foi o caso de uma banda de Pop Rock vinda do Rio de Janeiro, sentados na grama, ao meu lado e que fizera na noite anterior uma apresentação em uma casa de shows da capital mineira. Os roqueiros cariocas agora rendiam-se a apreciar a paisagem, a cultura e os artistas de Minas, em um domingo de dia lindo e ensolarado, capturado nas telas dos Abreu, magníficos artistas que pintaram ali, ao vivo, um belíssimo quadro – em duas telas, é verdade – nas quais o “Pirulito” da Praça Sete figurava em pleno cruzamento das avenidas Cristóvão Colombo e Getúlio Vargas, local onde em tempos outros, na década de 1960, já fizera história, passeando, fincado no coração da Savassi.

Obelisco de BH volta à Praça da Savassi pelas mãos do artista plástico Abreu

Jazz, carros, bicicletas e vestimentas de um tempo distante mas presente; e o Obelisco, símbolo da nossa querida BH reluzindo em tela de artistas plásticos que registravam aquele dia com toda a sua sensibilidade, em meio à Praça da Savassi. Que cenário pudemos desfrutar por aqui, graças a realização desse evento!

Evento aliás que não precisou da presença da Polícia. Evento em que a força de segurança se fez presente sim, mas numa maravilhosa apresentação da Banda da Guarda Municipal de BH. Com seus uniformes impecáveis, foram impecáveis em sua apresentação com de diferentes peças musicais, (dentre elas a inesquecível e envolvente música Gonna Fly Now, tema do inesquecível filme Rocky Balboa) trazendo para a Savassi não a Guarda de todos os dias, apresentando-se não só como força de segurança mas também como fonte de arte e cultura.

Me perguntaram dia desses o que essa administração já fez por BH?

Bem, BH é grande, não posso responder por toda ela. Mas para a Savassi, trouxe a criança pro meio da avenida mais movimentada da região, junto com seu pai, mãe, avós e o cachorrinho. Trouxe a bicicletinha dela também. Trouxe o patins e o skate. Trouxe a família e trouxe o casal de namorados, que apaixonados, fez uma viagem no tempo, embalados ao som do melhor do Jazz da nossa BH. Trouxe a senhora, que se esbaldou em passos de ritmos que nem mesmo o Jazz os reconheceria como seus, mas e daí, se ela celebrava ao seu ritmo, do seu jeito e com os seus pés, os 100 anos da existência do próprio Jazz?

Naquele dia em especial, trouxe o som do violoncelo, da bateria, da clarineta, do contrabaixo, do sax; trouxe o trompete, a voz e claro: o som da guitarra. Trouxe a música, a arte; trouxe a cultura! Não precisei ir a New Orleans nos Estados Unidos para curtir o melhor do Jazz, nem ao Teatro para escutar o som de alguns instrumentos tão eruditos.

Savassi: a New Orleans de Minas por um dia

No último dia do mês de abril de 2017, a Savassi floriu no mais belo jardim que eu um dia pudesse imaginar contemplar nessa cidade, na nossa cidade. Um jardim cultural. Porque a Savassi foi mesmo da gente. A Savassi foi cultura, foi arte, foi música, foi gente.

 

 

Naquele dia, as pessoas nas ruas, no meio da avenida, eram como flores no jardim.

Sem a correria nem a pressa de todos os dias, em meio a calmaria e a arte, sentado na graminha da praça, eu não percebia mais a sujeira, o grafite no alto do prédio, nem a correria das pessoas ou dos carros. Não escutei sequer a buzina ou o motor dos ônibus que escuto tyodos os dias. Naquele dia eu escutei apenas música; o melhor da música. E contemplei apenas, um belíssimo jardim na Savassi.

 

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