A prática ilegal e as contravenções que tomam conta da Savassi

A certeza da impunidade tem levado pessoas a cometerem cada vez mais infrações na região da Savassi.

 

 

Uma prática irregular tem se tornado comum nas ruas da região da Savassi ultimamente: afixar banners, faixas de eventos e placas de pequeno porte em árvores – o que se trata na verdade de crime ambiental. Somado a isso, moradores de rua que deterioram propriedades particulares com fogo e fumaça, urinam e fazem suas necessidades fisiológicas na rua causando o pior odor; frequentadores da noite que têm quebrado garrafas nas ruas e praças do bairro; e por fim, veículos estacionados em local proibido. O que tem levado cenas assim serem cada vez mais recorrentes na Savassi?

De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte, “é proibido afixar faixas e cartazes publicitários em postes, gradis, árvores, lixeiras, muros, viadutos e tapumes de obras sendo somente admitidas faixas para mensagens institucionais veiculadas por órgão ou entidade do Poder Público” e as penalidades variam de acordo com o tipo de infração. “Os infratores estão sujeitos a notificação, multas de até R$ 11.932,44 até a cassação do Alvará de Localização e Funcionamento do estabelecimento caso a propaganda irregular seja de um estabelecimento regular”. As informações estão disponíveis no portal da Prefeitura de BH.

Lamentavelmente, avistar tais modelos de publicidade em situação irregular tem se tornado uma cena recorrente por aqui. Espalhados por locais de maior concentração de pessoas, esse tipo de divulgação de um negócio ou serviço desconsidera o fato de que ao afixar um cartaz em uma árvore, está sendo cometida uma agressão contra ela. Infelizmente, algumas pessoas parecem não se importarem com isso. Para elas, o que importa é fazer a sua “boa publicidade”. São “os mais espertos que os demais”.

Cartaz afixado em árvore

Cartaz afixado em árvore localizada em frente ao CSA. Crime ambiental que tem sido recorrente na Savassi

Talvez Você discorde, mas esse tipo de atitude caracteriza um comportamento semelhante ao daquelas pessoas que adoram furar uma fila ou ultrapassarem pela faixa da direita quando estão num congestionamento na estrada. Não importa se vão agredir o direito do outro, ou se vão colocar em risco a sua vida ou de outrem. Não importa se estão agredindo o meio ambiente também. Pra essas pessoas a ética parece não ter importância. Pelo menos, não se for para ganharem tempo ou dinheiro. Utilizam-se, talvez, da máxima do famoso escritor florentino Nicolau Maquiavel em uma de suas mais célebres frases: “O fim justifica os meios.” Assim, o que importa é se o objetivo foi alcançado.

Por outro lado, não precisamos ir longe para notarmos outro tipo de cena lamentável que tem tomado nossas ruas: paredes e pilastras carbonizadas ou marcadas por uma coluna negra de fumaça, causada pelo fogo que moradores de rua têm acendido para prepararem alimentos, ainda que no meio da rua, comprometendo não apenas o direito de ir e vir do cidadão comum, mas ainda colocando em risco a segurança das pessoas, haja vista o risco de incêndio.

Se por uma lado alguns defendem que é necessário haver uma política social para lidar com essa população que tem invadido as ruas da Savassi, por outro lado, é justo para uma população que paga IPTU assistir a degradação de seu bairro sem uma intervenção do poder público, como tem acontecido na Savassi?

 

 

Fosse até aí, estaria bom. Mas que tipo de gente tem frequentado as noites da Savassi? Por que gritam tanto pelas ruas, desconsiderando que existem centenas de pessoas tentando ter uma boa e simples noite de descanso em seus lares? E o mais triste: Que tipo de gente quebra garrafas nas praças, ruas e calçadas de nossa querida Savassi? Por causa de uma atitude primitiva dessas, uma linda garotinha de apenas 6 anos de idade foi vítima de um triste incidente neste domingo enquanto se divertia brincando com a água que jorrava de um chafariz da Praça Diogo de Vasconcelos. Ela cortou seu pé um um caco de vidro, um fundo de garrafa de cerveja que estava jogado dentro da área do chafariz.

O ferimento da pequena não foi grave, mas no mesmo local, um outro menino escorregava de peito na água e por sorte (ou milagre) não se machucou. Poderia ter sofrido um terrível ferimento.

Por fim, o que acontece com os motoristas? Qual é a justificativa para estacionarem seus veículos em locais não regulamentados e devidamente sinalizados como proibidos? E o pior: o comportamento primitivo que têm quando um cidadão os orienta de que estão estacionando em local proibido. Logo derramam um xingamento, humilhando tal cidadão apenas por este advertir ao motorista que ele estava prestes a cometer uma infração de trânsito.

Ao que parece, o comportamento da pessoa que utiliza uma árvore para afixar sua publicidade, do morador de rua que acende fogo em plena rua não se importando com o risco de incêndio; dos indivíduos que urinam nas paredes das ruas; dos frequentadores da noite da Savassi que pra eles tudo bem gritar pelas ruas ou quebrar garrafas nas praças do bairro; e dos motoristas que estacionam seus veículos em locais proibidos – podem ter um ponto em comum como motivação: a convicção de que não sofrerão qualquer consequência sobre seus atos. A certeza de que podem fazer qualquer coisa que não serão punidos. A certeza da impunidade.

Precisamos mudar isso. Cabe aos órgãos públicos fazerem a sua parte e fiscalizar, e a nós cidadãos e moradores do bairro, conscientizarmos alguém que esteja em flagrante ato indevido para que deixe de fazê-lo.

Se cada um dos moradores e comerciantes se juntarem e buscarem conscientizar a população do bairro e a população que frequenta o bairro para se divertir (que aliás são muito bem vindos desde que não façam aqui o que não fariam na porta de sua casa), então há esperança, Pois só há uma forma de melhorar o que hoje tem acontecido: a conscientização. E esta passa primeiro por mim. Faça a sua parte. Ajude a mudar essa realidade. Todos ganharemos.

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