Professor de inglês, argentino faz sexo a céu aberto na Savassi

Em viagem pelo mundo, o artista de rua está passando uma “temporada” em Belo Horizonte, onde se apresenta em sinais de trânsito.

Uma das mágoas de Julio Buso, 26 anos, argentino que atualmente vive no Brasil, mais especificamente na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, é ser confundido e tratado como um mendigo. ou seja, uma pessoa que pede esmolas ou vive de esmolas; mendicante, pedinte. “Atualmente sou um malabarista. Faço malabares e trabalho nas ruas. Recebo por meu trabalho. Não sou pedinte. Moro na rua porque gosto e quero”. Essas foram suas palavras explicando a atual condição em que vive.

Pela segunda vez no país, o malabarista patagão tinha como destino a cidade de Três Corações, mas “a grana só deu pra pagar o ônibus até Belo Horizonte”. Ele veio de São Paulo e antes passou por Santa Catarina e Paraná, em viagem que já dura seis meses. “Mas foi aqui em BH que me roubaram pela primeira vez. Levaram minha mochila com roupas e equipamento de trabalho” – comentou chateado. Ainda segundo Julio, seus novos planos têm como próximo destino a cidade de Ouro Preto e na sequência, o nordeste brasileiro, sempre atuando como malabarista em sinais de trânsito, esquinas ou praças das cidades por onde passa. Já esteve além de seu país de origem, no Uruguai, Chile, Inglaterra e Escócia.

Questionado se o idioma não era uma dificuldade, principalmente quando viveu na Europa, surpreendeu com uma resposta em inglês fluente  de que era professor dessa língua quando vivia na Argentina e que abandonou a profissão há três anos, pois queria conhecer o mundo. “Escolhi trabalhar nas ruas pois aqui tenho muita liberdade e vivo muito bem. Ganho em média setenta reais por dia, não pago aluguel e atualmente durmo numa praça que é um dos cartões postais da cidade. Se quero ir ao banheiro posso usar o dos museus pois as pessoas são bacanas e permitem por serem lugares públicos. E é assim em toda cidade que passo a morar. ” Sobre o seu asseio pessoal, como o banho, o aventureiro professor de inglês e agora malabarista disse que paga R$8,00 para tomar um banho na rodoviária de BH, “umas três vezes na semana”.

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Julio é argentino e vive nas ruas a pelo menos 3 anos, quando decidiu viajar pelo mundo.

Também morando na Praça da Liberdade e “vizinho” de Buso, o igualmente malabarista Roberto Augusto é brasileiro, tem 24 anos de idade e é nascido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Antes de BH, esteve em Brasilia, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. “Eu viajo mostrando a minha arte. Não tem melhor lugar para viver do que a rua. Tem os seus perigos, mas vale à pena”. Diferente do colega argentino, o brasileiro não demonstra qualquer constrangimento em se alimentar sem pagar. “Quando não aparece alguém pra oferecer algo pra comer ou pagar pra mim, vou a algum restaurante após o almoço pois sempre nos dão da comida que sobra. Eles nunca negam.” – explicou Roberto, com largo sorriso no rosto.

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Roberto viaja o Brasil vivendo da “sua arte” e morando nas ruas das cidades por onde passa.

Vivendo a céu aberto numa vizinhança onde o metro quadrado de um imóvel é avaliado em aproximadamente R$1.320,00 (de acordo com o site agente imóvel), Julio e Roberto parecem não se importarem com sua condição social diferenciada. Para eles, o que importa é o fato de não terem despesas fixas para pagar, o que os deixa livres para fazerem mais coisas com o dinheiro que arrecadam nas ruas. Na mesma área em que estão hoje vivendo na Praça da Liberdade, moram em condições similares, pelo menos outras 5 pessoas, aparentemente artesãos. Um deles pediu hum mil reais para conceder uma entrevista ao Blog, o que obviamente não aconteceu.

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Um pequeno grupo tem vivido na Praça da Liberdade. São os vizinhos que precisam de ajuda como doação de agasalhos ou cobertas para se protegerem do frio.

Mas e a vida amorosa das pessoas que vivem na rua, como fica? Segundo Julio Buso, é como em qualquer relacionamento: “Beijamos e nos amamos como qualquer outro casal. Não é porque vivemos nas ruas que deixaremos de fazer sexo. Pelo contrário, pois a nossa liberdade é maior do que as pessoas que vivem em suas casas e o nosso cenário muito mais bonito”.

Viver nas ruas entretanto, tem as suas mazelas. Não é incomum relatos de agressões sofridas por moradores de rua, vítimas de ataques muitas vezes covardes de pessoas que jogam produto inflamável e lançam fogo sobre eles, causando em alguns casos, graves queimaduras ou até levando a morte. No último dia 3 de maio,  um morador de rua de São Paulo foi agredido por um Guarda Municipal. Samir  Ahamad, de 40 anos, de acordo com médicos que o atenderam, precisará passar por uma cirurgia e ficará com o braço engessado por 120 dias. O caso foi amplamente noticiado e ganhou destaque na imprensa nacional.

agressão a mendigo
Momento em que um morador de rua é agredido por um GCM de SP no último dia 3 de maio.

Assista a reportagem do SPTV que mostra o morador de rua Samir Ahamad sendo covardemente agredido por um GCM da cidade de São Paulo.

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